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Produtores do Sul da Bahia ganham Ouro e Prata no Cocoa of Excellence 2021

João Tavares é tricampeão da ´Copa do Mundo do Cacau`

 

O produtor João Tavares e sua mãe Angélica Maria Tavares , conquistaram medalhas de Ouro e Prata  respectivamente, no Cocoa of Excellence, concurso que reúne os 50 melhores produtores de cacau fino do mundo. O anúncio da premiação dos agricultores do sul da Bahia ocorreu nesta quinta-feira (16), em Paris, e foi exibido ao vivo no telão do Chocolat Festival Bahia, em Ilhéus.

Logo após o anúncio do prêmio, João Tavares, que estava em Ilheus, não escondeu a alegria ao comentar a opinião dos jurados do concurso sobre a sua amostra de cacau catongo, variedade brasileira caracterizada pelas amêndoas claras. “Ela coloca o Brasil, definitivamente, no mapa mundial do cacau de altíssima qualidade”, assegura o produtor.


Segundo João, o cacau catongo é muito apreciado pelos chocolateiros por ter notas doces de caramelo, sem perder os aromas florais. “É um material muito exótico, muito diferente”, acrescenta o responsável pela lavoura da Fazenda Leolinda, de Uruçuca.
A amostra premiada de Angélica Tavares é da variedade FL 89, produzida em Ilhéus, explica João. “É um material muito frutado”.

 

CABRUCA E SUSTENTABILIDADE

Para o produtor, o resultado do concurso evidencia o papel relevante do país no mercado internacional. “O Brasil está de parabéns, pois teve, também na categoria prata, o João Evangelista, que é um paraense. O Brasil teve três posições”, frisa. João já havia sido premiado entre os primeiros nas edições de 2010, 2011 e ficou entre os 50 melhores em  2019 do Cocoa of Excellence.

“Essa conquista representa o reconhecimento do mercado nacional à qualidade do cacau brasileiro.  Essa conquista é de toda a região. Para mim, a maior conquista é saber que estamos oferecendo oportunidades novas oportunidades numa região que necessita agregar valor ao cacau, verticalizando a produção até o chocolate e outros derivados”, disse João Tavares.

Ele ressaltou ainda que  “é preciso valorizar a cabruca, um ativo de valor inestimável, que pode oferecer um grande retorno ao produtor, com a valorização pelo consumidor do cacau de alta qualidade, focado na sustentabilidade”.

 

João Tavares com técnicos e especialistas da Ceplac e do Centro de Inovação do Cacau-CIC

O concurso é uma das atrações do Salon du Chocolat de Paris, mas, neste ano, foi realizado depois do evento por causa da pandemia de covid-19.

 

CENTRO DE INOVAÇÃO DO CACAU

Adriana Reis

As 29 amostras brasileiras inscritas no CoEx foram pré-selecionadas no Centro de Inovação do Cacau (CIC) sob a coordenação da Ceplac. Dessas, oito foram para Paris e as que três seguiram entre as finalistas ganharam os destaques. Essa triagem feita no Brasil antes de submeter as amostras para o concurso é fundamental para garantir uma qualidade competitiva. “De um lado temos os produtores fazendo um trabalho lindo em campo, que investem em qualidade, que são pioneiros e enfrentam o desafio brasileiro de produzir cacau na floresta. E do outro, temos uma equipe técnica que está voltada para um trabalho de qualificação dessas amêndoas cada vez mais profissionalizado. Temos investido muito nas metodologias de análise e isso é um divisor de águas. Não é à toa que esse ano temos três premiados. De fato, houve toda uma avaliação criteriosa de cada etapa: análise física, química e sensorial de cacau não torrado, de liquor e de chocolate. Percebemos que quando entregamos algo com lastro técnico, temos um resultado brilhante como foi esse. Então, vence o Brasil”, comenta a bióloga Adriana Reis, doutora em biotecnologia e gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC).

O Brasil participou de todas as edições sob a coordenação da Ceplac que, desde 2019, conta com a parceria do CIC para a realização de todas as etapas de seleção final das amêndoas que irão para avaliação do Comitê Internacional na França.

 

DO CACAU AO CHOCOLATE

 

O empresário e fabricante de chocolate Marco Lessa, o homem por trás das versões paraense, paulista e baiana do Chocolat Festival, celebrou o resultado. Para ele, o Cocoa of Excellence é uma espécie de “Copa do Mundo do Cacau”.

Marco Lessa (foto Ana Lee)

Marco Lessa explicou ao site o papel do evento na inserção do cacau e do chocolate brasileiros no mercado exterior. “O festival é importante porque você traz pesquisadores, produtores de chocolate, chocolatiers de outros países, de outros estados, pessoas envolvidas com esse mercado. Eles demonstram aos produtores que vale a pena investir em qualidade, em cacau fino, em cacau de origem. O mundo, cada vez mais, busca produtos que tenham alguns aspectos como a preservação ambiental, o sabor e a história por trás – tudo isso a nossa região tem, o sul da Bahia tem”.

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