Cleber Isaac Filho
Quando comparamos o preço do cacau de 2016 com o de hoje, descobrimos algo importante:
Se o cacau tivesse acompanhado o aumento dos custos agrícolas — medidos pelo IICP, que subiu 140,5% no período — o preço atual deveria estar em torno de:
R$ 24,85 por kg
R$ 372 por arroba
Mas o preço real ao produtor hoje está próximo de R$ 305 por arroba.
Ou seja: o cacau está cerca de 22% abaixo do valor necessário apenas para acompanhar os custos básicos de quem produz (fertilizantes, combustível e mão de obra).
E a ironia?

Exige-se que o produtor preserve floresta, mantenha a cabruca de pé e arque com o custo ambiental — tudo isso enquanto, nas conferências climáticas, o discurso sobre “agrofloresta” e “economia verde” é lindo, mas o apoio econômico real simplesmente não chega.
Conclusão:
A conta não fecha. Cobram preservação, mas não garantem viabilidade. Sem preço justo e políticas sérias, quem banca a floresta é o produtor — sozinho.
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Cleber Isaac Filho é hoteleiro, ambientalista, empreendedor e coordenador do Programa Economia Verde






