
Dr. Ricardo Bovendorp
A Fazenda Yrerê, localizada em Ilhéus, no sul da Bahia, tem se destacado como um verdadeiro refúgio de biodiversidade dentro de um dos biomas mais ameaçados do planeta: a Mata Atlântica. Em parceria com o Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC), da Universidade Estadual de Santa Cruz, pesquisadores realizaram um amplo levantamento da fauna e flora da propriedade, evidenciando o papel fundamental das áreas produtivas sustentáveis na conservação da natureza.

O estudo contemplou o inventário de espécies arbóreas, além do monitoramento de mamíferos terrestres de pequeno, médio e grande porte, morcegos e aves. Os resultados impressionam: a fazenda abriga uma diversidade significativa de espécies, muitas delas essenciais para o funcionamento dos ecossistemas, como dispersores de sementes, polinizadores e controladores naturais de populações.

Esse cenário reforça a importância do sistema tradicional de cultivo de cacau conhecido como cabruca, no qual o cacau é plantado sob a sombra de árvores nativas. Diferente de modelos agrícolas intensivos, a cabruca mantém parte da estrutura florestal original, permitindo a coexistência entre produção agrícola e conservação da biodiversidade.

Segundo o Dr. Ricardo Bovendorp (pesquisadordo LEAC), áreas como a Fazenda Yrerê funcionam como verdadeiros corredores ecológicos, conectando fragmentos florestais e contribuindo para a manutenção de espécies que dependem desses ambientes para sobreviver. Em uma região reconhecida como hotspot mundial de biodiversidade, como a Mata Atlântica do sul da Bahia, iniciativas desse tipo são estratégicas para frear a perda de espécies e preservar os serviços ecossistêmicos.

Além de seu valor ambiental, a biodiversidade presente nessas áreas também traz benefícios diretos à produção agrícola, como o controle de pragas e a polinização — fatores que aumentam a resiliência dos sistemas produtivos frente às mudanças climáticas.
A parceria entre ciência e produção rural, como exemplificada pela Fazenda Yrerê e o LEAC, demonstra que é possível conciliar conservação e desenvolvimento. Mais do que isso, aponta caminhos concretos para um futuro sustentável, onde a biodiversidade não é um obstáculo, mas sim um aliado essencial para a vida e a economia da região.
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O Dr. Ricardo Bovendorp é pesquisador do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC)






