Dr. Fabrício Santiago, do Assentamento do MST para a Medicina em Cuba e o trabalho onde tudo começou, na luta e no senso de missão

Daniel Thame
Fabrício Santiago, filho de agricultores familiares, nascido num assentamento de reforma agrária no Sul da Bahia é um exemplo do poder na Educação na vida das pessoas e de como uma das mais dignas profissões da humanidade, a Medicina, pode ser exercida beneficiando comunidades que historicamente sempre ficaram à margem do sistema de saúde pública e que só começaram a receber esses serviços a partir do primeiro mandato do presidente Lula.
E foi justamente um governo progressista quem abriu as portas para que Fabrício realizasse o sonho de se graduar como médico pela na prestigiada Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), em Cuba.
“Minha história é profundamente ligada ao campo, à luta social, à educação e ao cuidado com as pessoas que vivem em áreas rurais. Desde jovem já trabalhava no campo e participava das atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Foi nesse ambiente que
aprendi, desde cedo, sobre trabalho, coletividade, resistência e compromisso com a comunidade”, afirma.
Durante a militância no MST, Fabrício foi aprovado em concurso público para Agente Comunitário de Saúde em Camacan, função que exerceu por aproximadamente três anos, atuando em áreas carentes. “Nesse período, tive contato direto com as famílias, suas necessidades e as dificuldades de acesso à saúde, mantendo também minha participação nas causas sociais e na realidade da população do campo”, afirma.
MEDICINA EM CUBA
Em busca do sonho de ser médico, Fabrício Santiago, deixou o emprego público, a família, os amigos e a sua comunidade para estudar Medicina em Cuba. Ingressou na Escola Latino-Americana de Medicina, onde concluiu a graduação em 2018. “Ao retornar ao Brasil, enfrentei, como tantos médicos formados no exterior, um longo e burocrático processo de revalidação do diploma. Foram anos de desafios, estudo e perseverança até conquistar o reconhecimento da minha formação e o direito de exercer a Medicina no país”, relata.
De volta ao Sul da Bahia, iniciou uma nova etapa de sua trajetória profissional. Durante a pandemia de COVID-19, trabalhou no setor administrativo do Hospital AMEC. Posteriormente, integrou a equipe de Coordenação da Atenção Básica, acumulando experiências importantes na organização e no funcionamento dos serviços de saúde. Mais tarde, inscreveu-se e foi selecionado para o Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB), no qual ainda atua.
Paralelamente, preparava-se para enfrentar, como tantos outros médicos formados no exterior, um longo e burocrático processo de revalidação do diploma.“Foram anos de desafios, estudo e perseverança até conquistar o reconhecimento da minha formação e o direito de exercer a Medicina no país”, relata.
MEU LUGAR NO MUNDO
Hoje, o Dr. Fábricio é médico apto para atuar em todo o Brasil, com pós-graduação em Medicina de Família e Comunidade, atuando na Atenção Primária à Saúde, dentro do PMMB, fazendo parte da equipe de saúde do PSF Rural I do município de Camacã, no Sul da Bahia.
“Um dos maiores significados da minha trajetória é poder atuar atualmente na mesma equipe e no mesmo território onde trabalhei como Agente Comunitário de Saúde,prestando assistência à comunidade onde cresci e da qual faço parte”, destaca o médico.
“Minha história começou no campo e, de certa forma, retorna ao campo. Saí como filho de agricultores, trabalhador rural e agente comunitário de saúde; fui a Cuba em busca da formação médica; enfrentei o processo de revalidação e hoje retorno como médico para
cuidar das pessoas e das famílias que fazem parte da minha própria história”, diz Fabrício.
“Para mim, voltar às minhas origens não significa voltar ao ponto de partida, mas retornar mais preparado para contribuir com a transformação da realidade que também ajudou a construir quem eu sou”, finaliza, emocionado, o Dr. Fabrício Santiago, cercado do carinho e do reconhecimento de um povo do qual ele é a parte e o todo.
MAIS MÉDICOS

O Programa Mais Médicos foi criado oficialmente em outubro de 2013 pela presidente Lula, e a Bahia recebeu os primeiros profissionais no final desse mesmo ano. A supervisão acadêmica deles é feita por supervisores (um para cada grupo de dez médicos) e um tutor para cada grupo de dez supervisores.

O Dr. Humberto Barreto, médico sanitarista e hansenólogo, é supervisor do Dr. Fabrício desde que este entrou no PMM, em abril de 2024. “Fabrício é um dos mais aplicados profissionais do Programa. Atua em áreas de difícil acesso pois a maior parte dos usuários sob sua responsabilidade, além de residirem em localidades remotas, carecem de condições higiênicas adequadas e possuem um regime de trabalho exaustivo e gerador de transtornos à saúde”, destaca o Dr. Humberto.
“Aí sobressai um servidor que entende o trabalho médico como uma forma de transformar a realidade, e enxerga em cada usuário um semelhante a ser cuidado”, afirma o sanitarista.






