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CEPLAC e UFSB iniciam digitalização de um dos maiores acervos sobre cacau do mundo

Iniciativa integra Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições e busca preservar, modernizar e democratizar o acesso ao conhecimento produzido pela CEPLAC ao longo de quase 70 anos de ciência, pesquisa e inovação para a cacauicultura e os sistemas agroflorestais brasileiros.

Décadas de pesquisa sobre o cacau, guardadas em papéis, mapas, fotografias e relatórios, vão ganhar nova vida. A CEPLAC, órgão ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), fechou parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para digitalizar, preservar e abrir ao público o que é considerado um dos mais valiosos repositórios de conhecimento sobre a cultura no mundo.

A iniciativa faz parte do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre CEPLAC e UFSB, que prevê trabalho conjunto em pesquisa, ensino, extensão e inovação. A ideia é aproximar o conhecimento produzido nos laboratórios e campos experimentais das necessidades de quem vive do cacau no Brasil.

Para o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana, a iniciativa representa um avanço na modernização institucional e na valorização da trajetória científica da Comissão, que completará 70 anos em 20 de fevereiro de 2027.

“Estamos falando de um patrimônio científico construído ao longo de quase 70 anos, que ajudou a transformar a cacauicultura brasileira e contribuiu para o desenvolvimento de tecnologias reconhecidas internacionalmente. Digitalizar esse conhecimento significa preservar nossa história, democratizar o acesso à ciência e oferecer às novas gerações de pesquisadores e produtores uma base de informações estratégica para o futuro do cacau brasileiro”, destaca.

São cerca de 140 mil itens, entre livros, periódicos, teses, dissertações, estudos e documentos históricos, que contam quase sete décadas de pesquisa sobre o cacau no Brasil. No acervo da CEPLAC estão registrados desde os avanços no melhoramento genético e no controle de pragas e doenças até as tecnologias para sistemas agroflorestais, produção sustentável e agregação de valor à lavoura.

Ainda segundo Thiago, a iniciativa reforça a própria CEPLAC e se encaixa no Plano Inova Cacau 2030, estratégia que busca tornar a cadeia produtiva do cacau mais competitiva, sustentável e inovadora.
“A CEPLAC precisa transformar seu patrimônio científico em uma plataforma cada vez mais acessível e conectada às necessidades do setor produtivo. Nossa perspectiva é integrar a memória institucional, a pesquisa científica e as novas tecnologias, consolidando a instituição como referência nacional e internacional em conhecimento sobre o cacau e os sistemas agroflorestais”, acrescenta.

A digitalização deve proteger o acervo da deterioração do papel e abrir o acesso a pesquisadores, estudantes, produtores rurais e gestores públicos, no Brasil e no exterior, de forma gradual.

Outra etapa é a automação da Biblioteca do Cacau, que vai modernizar o cadastro e a busca de documentos. Com os sistemas de gestão e as plataformas digitais integrados, os registros serão padronizados e o atendimento, mais ágil. A integração também permitirá que o acervo se conecte a redes e repositórios científicos, dando mais visibilidade à produção da Ceplac no Brasil e fora dele.

Parceria fortalece ciência, tecnologia e inovação

No sul da Bahia, região que ajudou a construir o conhecimento brasileiro sobre cacau e agricultura tropical, a parceria une duas instituições com papel central na pesquisa e na inovação.

De acordo com o reitor da UFSB, Fabrício Berton Zanchi, a cooperação permite combinar a experiência científica acumulada pela Ceplac com a estrutura acadêmica e tecnológica da universidade, levando esse conhecimento a mais gente.

“A CEPLAC construiu um patrimônio científico de valor extraordinário para o Brasil e para o mundo. A UFSB tem a satisfação de contribuir para a preservação e a democratização desse conhecimento, colocando a universidade a serviço da ciência, da inovação e do desenvolvimento regional. Essa cooperação permitirá aproximar gerações de pesquisadores, ampliar o acesso à informação e fortalecer novas oportunidades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a cacauicultura e os sistemas agroflorestais”, afirma o reitor.

Além da digitalização, a parceria pode render projetos conjuntos em frentes que vão do laboratório ao campo e à fábrica: melhoramento genético, biotecnologia e conservação de recursos genéticos do cacau, agricultura digital, sistemas agroflorestais, processamento de cacau e chocolate e transferência de tecnologia ao produtor.

Preservação da memória científica e novas oportunidades para a pesquisa

O pesquisador Jacques Delabie, coordenador de Pesquisa e Inovação da CEPLAC na Bahia, explica a importância da digitalização para o futuro da instituição.

“A CEPLAC possui um acervo científico de valor inestimável, que reúne informações sobre a biodiversidade, os sistemas agroflorestais, a genética, a sanidade e o manejo da cultura do cacau, além de estudos fundamentais para compreender a evolução da agricultura tropical brasileira. Parte desse conhecimento está registrada em documentos históricos e publicações de difícil acesso. A digitalização permitirá preservar essas informações e ampliar sua utilização por pesquisadores e instituições de ensino, criando novas oportunidades para a ciência e a inovação”.

Delabie acrescenta que, com o acervo organizado e aberto à consulta, será possível abrir novas frentes de pesquisa e recuperar informações históricas que ajudam a entender os problemas atuais da cacauicultura. “Muitas das respostas para os desafios que enfrentamos hoje podem estar associadas a conhecimentos produzidos no passado. Recuperar, organizar e integrar essas informações às ferramentas científicas contemporâneas é uma oportunidade de fortalecer a pesquisa, evitar a perda de conhecimentos e acelerar o desenvolvimento de soluções para uma cacauicultura mais produtiva, resiliente e sustentável”.

A iniciativa faz parte das comemorações pelos 70 anos da CEPLAC, que serão celebrados em fevereiro de 2027. Além de resgatar a memória científica da instituição, o projeto deve ajudar a organizar e integrar informações produzidas ao longo de décadas, facilitando pesquisas interdisciplinares e abrindo caminho para novas aplicações tecnológicas.

O trabalho será dividido em etapas: primeiro, o levantamento dos documentos existentes; em seguida, sua classificação e a definição de prioridades. Também serão estabelecidos procedimentos de preservação digital para garantir a conservação do acervo a longo prazo. Por fim, o material será disponibilizado ao público de forma gradual, respeitadas as condições técnicas e legais de acesso.

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