
Cleber Isaac Filho
A FENAGRO 2025 — considerada a maior feira agropecuária do Norte e Nordeste — transformou, mais uma vez, o Parque de Exposições de Salvador num grande palco para o agro baiano. Neste ano, com 600 expositores de 12 estados e expectativa de receber mais de 200 mil visitantes, a feira reafirmou seu papel como termômetro das transformações no campo.
Mas o que mais chamou atenção foi a forte presença do cacau e do chocolate — e, especialmente, o protagonismo de Ilhéus. A cidade, histórica capital do cacau, marcou presença com um stand dedicado: produtores de cacau fino, marcas de chocolate de origem premiadas nacional e internacionalmente, turismo rural e produtos de valor agregado estiveram lado a lado, demonstrando a renovada força da cadeia cacaueira.
Cacau como identidade, sorriso de futuro

O stand de Ilhéus trouxe estandes de marcas como aquelas que produzem chocolate bean-to-bar, derivados artesanais, licores de cacau e experiências de turismo rural — um retrato da diversidade da produção local.
Não é só nostalgia: é estratégia. Ao integrar o cacau à FENAGRO, a Bahia demonstra que a produção cacaueira não é uma “vocação perdida”, mas sim uma cadeia renovada e com valor agregado. O cacau aparece hoje como produto que une tradição, economia, sustentabilidade e identidade cultural — composição perfeita para resgatar o prestígio do sul e extremo sul baiano.
Uma Bahia que cresce — e diversifica

Segundo o secretário da Agricultura da Bahia, a agropecuária do estado vive um momento de expansão real, com cadeias produtivas consolidadas não apenas no agronegócio tradicional, mas também no cacau, café e fruticultura. A FENAGRO 2025 reforça isso: além de máquinas, animais e insumos, há espaço para florestas plantadas, culturas tradicionais e economias de base familiar — num mosaico que une modernidade e raízes.
Esse ambiente plural abre caminho para que o cacau de Ilhéus e da Bahia deixe de ser sinônimo apenas de colheita e volte a brilhar como produto de excelência — chocolate de origem, turismo, agroflorestas, novas tecnologias, créditos ambientais, diversidade rural.
Ilhéus reafirma seu papel — e o cacau baiano seus valores

Com sua história, sua terra e sua gente, Ilhéus reaparece: não como um passado de glória, mas como um presente renovado. A participação na FENAGRO 2025 mostra que a cidade está viva, ativa e com força de sobra para reconquistar o respeito nacional e internacional.
Para o leitor de Cacau e Chocolate, este momento é mais que simbólico: é estratégico. Representa a chance de acompanhar a transformação da cadeia, valorizar a origem baiana, apostar em cacau-fino e chocolate artesanal — e promover uma agricultura que respeita o ambiente, a memória e gera oportunidades para o interior.
Que a FENAGRO 2025 seja o ponto de partida de um novo ciclo — e que Ilhéus volte a ser, com orgulho, a capital nacional do cacau e do chocolate.
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Cleber Isaac Filho é hoteleiro, ambientalista, empreendedor e coordenador do Programa Economia Verde






