
Pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação da Universidade Estadual de Santa Cruz (LEAC/UESC) e Instituto Preguiça-de-coleira (IPDC) divulgaram os resultados de um estudo recém-publicado na revista internacional Global Ecology and Conservation, sobre os efeitos da perda de habitat e da urbanização na preguiça-de-coleira-do-norte (Bradypus torquatus), espécie ameaçada e endêmica da Mata Atlântica da Bahia e Sergipe.
Utilizando drones térmicos e modelos de ocupação, o estudo demonstra que, em paisagens periurbanas, a espécie só consegue se manter com segurança em áreas onde a cobertura florestal se mantém em pelo menos 50% em unidades de 10 hectares, valor superior ao limiar já observado em áreas rurais, em torno de 35%. Em termos simples, isso significa que, em cada porção de bairro ou loteamento do tamanho de 10 hectares (aproximadamente 10 campos de futebol), ao menos metade da área precisa permanecer com floresta nativa contínua; abaixo desse patamar, a probabilidade de ocorrência da preguiça-de-coleira despenca e a espécie tende a desaparecer ao longo do tempo.

O trabalho foi conduzido na região de Praia do Forte e arredores, no município de Mata de São João, litoral norte da Bahia, onde a expansão urbana associada ao turismo vem aumentando o desmatamento e a fragmentação florestal em uma área que ainda abriga uma população importante da espécie. O Dr. Gaston Giné, do LEAC UESC, um dos autores da pesquisa destaca que “ em ambientes urbanos e periurbanos, os riscos de mortalidade e isolamento – como eletrocussão em redes elétricas, atropelamentos, ataques de cães e barreiras físicas impostas por condomínios e vias, são maiores do que em áreas rurais, o que eleva a quantidade de floresta necessária para garantir a persistência da espécie”.

Os resultados indicam que os patamares atualmente permitidos pela legislação ambiental para supressão de vegetação em perímetros urbanos e periurbanos são insuficientes para assegurar a sobrevivência da preguiça-de-coleira-do-norte nessas paisagens. O estudo recomenda que o planejamento urbano incorpore metas claras de manutenção de, no mínimo, 50% de cobertura florestal nativa em unidades de 10 hectares e a criação de corredores ecológicos e redes de arborização nativa, integrando fragmentos florestais, áreas verdes públicas e quintais arborizados, de forma a permitir a conectividade da fauna e a coexistência entre a espécie e as populações humanas.
O artigo completo está disponível em acesso aberto em Global Ecology and Conservation, permitindo leitura, download e compartilhamento por gestores públicos, tomadores de decisão e sociedade em geral.
Link de acesso https://doi.org/10.1016/j.gecco.2026.e04206






