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21 de Abril: a verdadeira Independência do cacau

Cléber Isaac Filho

O 21 de Abril, lembrado pela história de Tiradentes, fala de Independência. Mas no campo, Independência não é gritar sozinho — é ter força organizada.

O produtor de cacau vive pressão de todos os lados: custo alto, mercado instável, exigências ambientais, risco sanitário. Nesse cenário, informação de qualidade e representação séria fazem toda a diferença.

E é justamente aí que muita gente se perde.

Em momentos de dificuldade, aparecem “soluções rápidas”. Figuras que surgem de repente, com discurso forte, linguagem simples e promessas fáceis. Muitas vezes baseados em informações distorcidas, explorando a insegurança de quem está na ponta.

Não é difícil reconhecer o padrão: cria-se um inimigo, espalha-se dúvida, e depois aparece alguém se colocando como único caminho.

Isso não fortalece o produtor — fragiliza.

Enquanto isso, o que realmente funciona costuma ser mais silencioso: o trabalho institucional.

Boa parte das pautas do setor avança quando há articulação séria — sindicatos, federações, governo e espaços como a Câmara Setorial do Cacau da Bahia trabalhando em conjunto. É nesse tipo de ambiente que se constroem propostas, se discutem soluções e se abre caminho para decisões que impactam o dia a dia do produtor.

Não é rápido. Não é simples. Mas é real.

E tem um ponto que precisa ficar claro:

quem senta à mesa precisa ter legitimidade.

Os sindicatos são, hoje, a estrutura legal e permanente de representação do produtor rural. São eles que têm continuidade, responsabilidade jurídica e capacidade de participar desses espaços de decisão.

Podem — e devem — ser cobrados.

Mas não podem ser substituídos por iniciativas improvisadas.

Projetos pessoais de poder, que se alimentam da angústia do produtor, não constroem solução duradoura. Criam barulho, dividem o setor e, no fim, enfraquecem quem mais precisa de força: o próprio produtor.

Neste 21 de abril, vale uma reflexão prática:

Independência é  saber onde está a estrutura que realmente defende seus interesses.

Procure o sindicato rural da sua cidade.

Participe, acompanhe, cobre.

Porque produtor desorganizado vira massa de manobra.

Produtor organizado vira força de decisão.

E no cacau, quem decide unido, decide melhor.

Cléber Isaac Filho é produtor de cacau, ambientalista e coordenador do Economia Verde

(Foto destaque: IA Meta)

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Um Comentário

  1. Cleber, precisamos de união, não precisamos de rostos de pessoas. Precisamos de entidades regionais que, eventualmente, podem estar reunidas numa Confederação. Precisamos de convergência de ações, isso deverá ser debatido dentro das entidades regionais que nos representam, lá a voz de todos deve ser ouvida, mas um representante de tal entidade regional deve ser escolhido, e tal pessoa deve conhecer muito sobre o assunto. Não gostaria de ter um representante que desconhece boa parte das questões relacionadas ao cacau

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