
O novo episódio do Cabruca Podcast traz uma história inspiradora de sucessão rural, cooperativismo e sustentabilidade com Victor Uallas. Jovem líder do sul da Bahia, ele atua como presidente do Instituto Cabruca, integra a coordenação do Assentamento Terravista e está à frente da fábrica do Chocolate Rebelde. Um exemplo de como a juventude está transformando a realidade da cacauicultura por meio da agroecologia e da inclusão social.
De Criança no Assentamento a Líder Cooperativista

Victor Uallas nasceu no Assentamento Terravista e cresceu vivenciando diariamente os desafios e os valores do trabalho coletivo de base. Historicamente, o Terravista foi o primeiro assentamento de reforma agrária implementado em uma tradicional área produtora de cacau no sul da Bahia, rompendo com a histórica concentração de terras da região.
- Aos 18 anos, Victor assumiu a presidência da cooperativa local (Coopasul), aprendendo na prática a lidar com a imensa responsabilidade de gerenciar pessoas e demandas comunitárias.
- Ele desmistifica os estereótipos atrelados ao movimento social, esclarecendo que as ocupações ocorrem estritamente em áreas improdutivas, cumprindo a lei constitucional para gerar produção agrícola.
- Consequentemente, famílias que antes viviam nas periferias ganharam acesso à terra, educação e dignidade para gerar desenvolvimento econômico e ético.
A Virada Agroecológica e a Criação do Chocolate Rebelde

No início dos anos 2000, as famílias do assentamento perceberam que o modelo agrícola convencional e o uso de agrotóxicos traziam sérios malefícios à saúde humana. Dessa forma, a comunidade iniciou uma transição firme para a agroecologia, buscando soberania alimentar e comida de alta qualidade para a própria mesa.
Além disso, a comunidade entendeu que vender apenas a amêndoa in natura mantinha os agricultores com apenas 6% dos lucros da cadeia produtiva.
- Para reverter essa lógica, eles passaram a beneficiar o próprio cacau, fundando uma fábrica de chocolate que retém 100% do lucro na comunidade.
- A marca foi batizada de “Chocolate Rebelde” como um ato de resistência comercial.
- Como a palavra “orgânico” foi gourmetizada e apropriada por grandes marcas, o nome “Rebelde” reforça o orgulho de ser um produto puro e limpo, gerado dentro de um assentamento de reforma agrária.
Diversificação de Culturas e o Trabalho do Instituto Cabruca
Para não depender unicamente das oscilações de preço do mercado cacaueiro, o sistema produtivo do Terravista apostou fortemente na diversificação. Sendo assim, o plantio consorciado de culturas como açaí e cupuaçu garante uma renda estável para os agricultores durante os meses de entressafra do cacau.
Hoje, como presidente do Instituto Cabruca, Victor Uallas expande essa visão para muito além do assentamento.
- O instituto lidera uma ampla rede de assistência técnica que atende milhares de famílias em 22 municípios baianos.
- A organização atua ativamente para provar cientificamente que é possível consorciar a alta produtividade de cacau com a preservação das árvores nativas.
- Eles desenvolvem um ambicioso projeto de recuperação da Mata Atlântica que visa a implantação de 200 mil hectares de sistemas agroflorestais na região.
O Desafio de Manter a Juventude no Campo
Garantir a sucessão rural é um dos maiores desafios do agronegócio moderno. Para Victor, a permanência das novas gerações no campo exige muito mais do que apenas a chegada da internet. Portanto, os jovens precisam de acesso real a maquinários (como tratores e roçadeiras) que reduzam o esgotamento do trabalho braçal, além de uma educação formal que valorize o pertencimento à cultura local.
“Esse pensamento de dizer que não consegue conservar a natureza e produzir é uma falácia. A gente consegue produzir dentro de áreas de preservação. A gente consegue, com árvores em pé, produzir cacau sim.” — Victor Uallas, no Cabruca Podcast.
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