Dia Mundial do Cacau. Celebrar ou reagir?

Por Antônio Maia
Em 26 de março, o mundo celebra o Dia Mundial do Cacau. Mas, para o produtor, a pergunta é inevitável: há, de fato, o que comemorar?
Embora o chocolate movimente bilhões, o produtor — elo essencial da cadeia — segue com a menor parte da riqueza. Preços comprimidos, deságios e margens reduzidas revelam um problema que não é pontual, mas estrutural.
Grandes grupos controlam a compra do cacau e a venda do produto final, influenciando preços, estoques e a própria narrativa de mercado. O resultado é claro:
produzir mais não significa ganhar mais.
Nos últimos meses, surgem sinais de mudança, como a restrição à importação de cacau da Costa do Marfim, a revisão do drawback e propostas para regulamentar o chocolate no Brasil. Medidas importantes, mas ainda insuficientes.
A verdadeira transformação começa com os próprios produtores. As redes sociais têm permitido algo inédito: consciência coletiva. E ela traz um passo decisivo — compreender que sem organização, não há mudança.
Nesse contexto, fortalecer a Associação Nacional dos Produtores de Cacau é fundamental. Uma entidade forte dá voz ao produtor, amplia sua capacidade de negociação e permite influenciar políticas públicas e o próprio funcionamento do mercado.
O Brasil tem potencial para ir além da produção de matéria-prima. Mas isso exige estratégia: fortalecer o mercado interno, agregar valor e reorganizar o setor.
O Dia Mundial do Cacau deve ser mais que celebração.
Deve ser um chamado.
Produtores de cacau do Brasil, uni-vos.






