
Cléber Isaac Filho
O setor cacaueiro brasileiro vive, nos últimos dias, um momento raro e simbólico: a convergência real entre Câmara Setorial, sindicatos, entidades representativas e produtores. Um movimento que não nasce do conforto, mas da necessidade — e que pode marcar uma virada na forma como o cacau é tratado no país.
Esse ambiente de unidade ganhou forma no âmbito da Câmara Setorial do Cacau, sob a condução de Fausto Pinheiro, e foi fortalecido pelas articulações da FAEB, dos sindicatos rurais e da ANPC, com participação ativa de lideranças como Águido Simões e Vanuza, que contribuíram para organizar as demandas do campo e dar clareza aos encaminhamentos. A reunião realizada na FAEB foi decisiva para transformar uma preocupação difusa em agenda objetiva, com pontos claros, institucionalmente alinhados e tecnicamente defensáveis.
Principais tópicos discutidos e encaminhados na reunião da FAEB
Unidade de atuação do setor

Ficou acordado que Câmara Setorial, sindicatos e entidades atuarão de forma coordenada, evitando posicionamentos isolados que fragilizem a estratégia coletiva.
Fortalecimento da Câmara Setorial como espaço central de decisão
A Câmara foi reafirmada como o fórum legítimo para articulação, diálogo e encaminhamento das demandas do setor cacaueiro.
Criação e consolidação de uma aliança do setor do cacau
FAEB, ANPC, AMPc, sindicatos e associações regionais avançam na construção de uma aliança institucional ampla, com discurso unificado e objetivos comuns.

Valorização do cacau brasileiro e da renda do produtor
Foi consenso que a sustentabilidade da cadeia começa pela remuneração justa de quem produz e a necessidade de diálogo estruturado com a indústria, reforçando a urgência de canais formais de negociação, com maior transparência na formação de preços e previsibilidade para o produtor e a avaliação técnica e jurídica do uso do drawback no cacau
A FAEB e as entidades irão aprofundar a análise do instrumento, para garantir que cumpra sua finalidade legal sem provocar distorções no mercado interno, com rigor absoluto nas exigências fitossanitárias. A sanidade vegetal foi tratada como prioridade estratégica — não apenas técnica — para a proteção do parque produtivo nacional.

Encaminhamentos junto aos órgãos públicos competentes
Foram discutidas ações coordenadas junto aos órgãos de fiscalização, controle e formulação de políticas públicas e os produtores
Os produtores foram orientados a aguardar os encaminhamentos institucionais definidos pela FAEB, pela Câmara Setorial e pela aliança do setor.
O que torna este momento único não é apenas a pauta, mas a postura. Pela primeira vez em muito tempo, o setor cacaueiro demonstra maturidade institucional para tratar conflitos com método, estratégia e unidade.

Não se trata de confronto.
Trata-se de governança.
O cacau brasileiro não pede privilégio.
Pede regra clara, diálogo e respeito.
Este é um debate que interessa a todo o setor.
Leia, compartilhe, replique e fortaleça essa agenda.
Unidade não se constrói em silêncio — se constrói em circulação.






