BNDES aprova R$ 250 milhões para Belterra ampliar produção de cacau em áreas degradadas da Amazônia
Projeto prevê recuperar 4 mil hectares com sistemas agroflorestais no Pará e em Mato Grosso, com produção estimada superior a 12 mil toneladas anuais de cacau

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 250 milhões para a Belterra implantar sistemas agroflorestais em 4 mil hectares de áreas degradadas da Amazônia. Anunciada em 19 de outubro, a operação utilizará recursos do Fundo Clima e integra um projeto com investimento total de R$ 302 milhões, com conclusão prevista para 2031.
A iniciativa será executada pela Restaura Amazônia SPE, empresa do Grupo Belterra, principalmente no Pará, com atuação também em Mato Grosso. Entre as regiões contempladas estão a Transamazônica e Carajás, em território paraense, e Alta Floresta, no norte mato-grossense.
A proposta é transformar pastagens degradadas e lavouras de baixa produtividade em áreas que combinem produção agrícola e recuperação ambiental, sem avançar sobre a floresta nativa.
O projeto prevê o plantio de aproximadamente 4,72 milhões de mudas. O cacau será a principal atividade comercial, associado a espécies como açaí, castanheira, andiroba, ingá, ipê, jatobá e paricá, além de banana e mandioca.
Ao todo, serão utilizadas 25 espécies nativas, com funções que incluem sombreamento, recuperação do solo, ampliação da cobertura vegetal e diversificação da renda rural.
A expectativa é alcançar produção superior a 12 mil toneladas de cacau por ano. Segundo o BNDES, esse volume poderá ampliar a oferta nacional de amêndoas, fortalecer a cadeia do chocolate e contribuir para reduzir a dependência de importações. Trata-se, porém, de uma expansão vinculada à implantação e à maturação das novas áreas, com efeitos graduais sobre o abastecimento.
O modelo prevê contratos de arrendamento ou parceria rural com proprietários de áreas degradadas ou de baixa produtividade. A Belterra assumirá os investimentos iniciais em mudas, insumos, assistência técnica e mão de obra, sem exigir aporte financeiro dos produtores parceiros.
Na modalidade de parceria rural, os agricultores receberão remuneração fixa nos três primeiros anos, período anterior à produção comercial do cacau. Após o início das colheitas, passarão a receber uma parcela da produção.






