
Por Antonio Carlos Magnavita Maia — Médico e Cacauicultor
A Bahia já tem, há décadas, o modelo de produção sustentável que o mundo passou a exigir. E ainda não o transformou em estratégia de futuro.
Senhor Governador Jerônimo Rodrigues,
Escrevo como cidadão e como homem do campo, reconhecendo em Vossa Excelência não apenas o chefe de governo, mas alguém que conhece, na prática, a realidade da roça e da cabruca. Essa vivência não é detalhe — é responsabilidade histórica.
A cultura do cacau não é apenas uma atividade econômica; ela funda a identidade da Bahia. Sustentou regiões, gerou riqueza, organizou territórios e estruturou o desenvolvimento do Estado. Houve um período em que respondeu por mais de 65% da arrecadação estadual.
“O campo construiu a cidade. O cacau financiou a modernidade.”
Dessa base nasceram estruturas que ainda sustentam a economia baiana, como o Centro Industrial de Aratu e o Polo Petroquímico de Camaçari.
Mas é preciso reconhecer, com maturidade: esse ciclo foi construído por gerações que fizeram o que era possível em seu tempo. Deixaram um legado que ainda sustenta a Bahia — e que agora exige evolução.
Não se trata de repetir o passado. Trata-se de avançar sobre ele.
Sob a lógica da cabruca, parte essencial da Mata Atlântica resistiu. Não por imposição, mas por uma inteligência produtiva sistêmica — onde produção, conservação e valor econômico não competem, se reforçam.
O produtor preservou se adaptando enquanto produzia — e produziu preservando.
Esse é o legado mais valioso: um sistema baseado em inteligência produtiva sistêmica, que hoje responde exatamente ao que o mundo exige.
“O mundo passou a exigir exatamente aquilo que a Bahia já sabe fazer.”
O cenário internacional mudou. As exigências da União Europeia e os novos acordos comerciais impõem um padrão claro: só será competitivo quem comprovar sustentabilidade e rastreabilidade.
A Bahia já tem esse modelo. Ele se chama cabruca.
“A cabruca não é apenas um modelo agrícola — é inteligência produtiva sistêmica aplicada ao território.”
“O que falta não é modelo. É decisão política.”
Não faltam conhecimento nem tecnologia. Falta transformar essa realidade em estratégia de Estado.
O caminho é objetivo: reconhecer a cabruca como ativo estratégico; valorizar economicamente quem preserva; transformar sustentabilidade em renda; agregar valor ao cacau baiano; e romper com a histórica desvalorização do produtor.
E aqui está o ponto central:
O ciclo do cacau como símbolo de concentração ficou no passado.
O futuro está no seu legado mais inteligente: produzir com a floresta e gerar riqueza com identidade.
Senhor Governador, sua trajetória lhe confere legitimidade para liderar esse movimento.
A Bahia que já foi construída pelo cacau pode agora ser reposicionada por ele — desta vez como estratégia de desenvolvimento contemporâneo, baseada em inteligência produtiva sistêmica e compromisso com o futuro.
Não se trata de passado. Trata-se de estratégia.
Não se trata de memória. Trata-se de futuro.
Chega de invisibilidade.
Chega de deságio.
Chega de exportar riqueza sem retorno.
“O produtor de cacau não pede privilégio. Exige reconhecimento.”
A voz do cacau se levanta — como posição, não como apelo.
E espera do seu líder maior não apenas escuta, mas ação.
AVANTE CACAU DA BAHIA. AVANTE CACAU DO BRASIL.






