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Sul da Bahia busca Denominação de Origem para o cacau

Estudo mostra diferenças entre safra temporã e principal e valoriza produção de cacau fino

 

Um estudo realizado no Programa de Pós Graduação em Engenharia de Alimentos com Ênfase em Cacau e Chocolate do IFBaiano Campus Uruçuca intitulado “Influência do período de colheita na qualidade do cacau da Indicação Geográfica Sul da Bahia” contribuiu para o maior conhecimento sobre as diferentes características do cacau do Sul da Bahia. Foram comparadas as características do cacau de qualidade superior padrão IG Sul da Bahia entre a safra principal de 2018 e a safra temporã de 2019.

O estudo foi elaborado por Cristiano Sant´Ana, Diretor Executivo da IG Cacau, para obtenção do Título de Especialista em Cacau e Chocolate, com orientação de Ivan Pereira, Engenheiro de Alimentos e professor do IF Baiano – Campus Uruçuca; e coordenação de Adriana C. Reis, Gerente de Qualidade do Centro de Inovação do Cacau-CIC, da Universidade Estadual de Santa Cruz-Uesc.

SAFRA TEMPORÃ

Cacau Catongo

O trabalho concluiu que a Indicação Geográfica Sul da Bahia contribui de forma positiva com a manutenção do padrão de qualidade superior do cacau produzido nos diferentes períodos de colheita. Na safra temporã foram observados maiores valores no percentual de Amêndoas Brancas, com diferença significativa em relação aos períodos de colheita principal, nos lotes de cacau de qualidade superior/IG Sul da Bahia.

Esse fato serve de base para novos estudos que detalhem mais profundamente os motivos desses resultados e possam servir de embasamento técnico na solicitação para reconhecimento de uma Denominação de Origem para o Sul da Bahia. Estudos com amplitude maior de dados deverão ser realizados para delimitação da área geográfica que este fenômeno ocorre, com a finalidade da futura separação das safras em Safra 20xx.1 ou Temporã e Safra 20xx.2 ou Principal nas sacas e no produto final, como acontece no vinho por exemplo, o que pode gerar maior agregação de valor ao cacau da região.

Terroir Sul da Bahia

Cristiano Sant´Ana

De acordo com Cristiano Sant´Ana, “nossa região é única, com grande remanescentes de Mata Atlântica, fundamentais para o cultivo de cacau e esse estudo traz a comprovação da especificidade do Terroir Sul da Bahia, traduzido pelo cacau Catongo, mutação natural ocorrida na espécie Theobroma Cacao que confere a esse tipo de cacau amêndoas de coloração interna branca, e pela safra temporã que pode possuir uma qualidade especial na manteiga de cacau e nos chocolates feitos com nossas amêndoas”. Segundo ele, essas características não foram comprovadas cientificamente até agora em nenhuma região produtora de nosso país.

A IG Cacau Sul da Bahia, uma federação formada por 17 instituições representativas com um total de 3120 associados, desenvolve parcerias com o IFBaiano, CIC, UESC, UFBA, UESB, SEBRAE, Instituto Arapyau, SENAR, dentre outras, capacitando produtores com foco na produção de cacau de qualidade e na sustentabilidade.

NOVAS TECNOLOGIAS

Ivan Pereira

“O portifólio de projetos e as parcerias com empresas do setor Cacau-Chocolate, consolidadas por meio da especialização em ciência e tecnologia com ênfase em cacau e chocolate, vêm apresentando resultados importantes, como os obtidos nessa pesquisa, que foi realizada em parceria com a Associação Cacau Sul Bahia, CIC e UESB”, ressalta Ivan Pereira, que também é Coordenador da Especialização em Ciência e Tecnologia de Alimentos com ênfase em Cacau e Chocolate e membro do FCCI – Institute Cocoa Chocolate Fine. “ Os resultados obtidos dessa ação, nos mostrou como é importante a união das instituições para contribuir com a marca IG Sul Bahia e, consequentemente, para valorização do nosso principal produto regional”, afirma.

Chocolates de origem do Sul da Bahia (foto Ana Lee)

 

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM

De acordo com a Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996 Denominação de Origem é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos. Na solicitação da IG de Denominação de Origem, é apresentado ao INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial ou MAPA – Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento é apresentada também a descrição das qualidades e as características intrínsecas do produto que se destacam, exclusiva ou essencialmente, por causa do meio geográfico, ou aos fatores naturais e humanos.

 

Adriana C. Reis

Para Adriana C. Reis, Gerente de Qualidade do CIC, “essa pesquisa é muito importante para que a gente possa validar e referendar o cacau do Sul da Bahia como uma origem especial, com grande potencial para o mercado de qualidade. Ela cria uma base para reconhecimento da qualidade físico-quimico e sensorial das amêndoas de cacau produzidas na região, com Indicação Geográfica Cacau Sul da Bahia, para num futuro próximo obter junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial a denominação de cacau de origem, com um terroir específico e atraente”.

“Estamos vivendo um momento que que necessitamos de pesquisas que demonstrem as características de qualidade do nosso cacau”. “É importante destacar que os chocolates de origem estão seguindo uma tendência de colocar a safra na embalagem, já que as condições ambientais tem um impacto muito grande e cada safra tem diferentes especificidades de aroma e sabor, a exemplo do que acontece com o vinho. Isso é essencial para conquistar o consumidor de chocolates finos”, diz Adriana.

RECONHECIMENTO DO ICCO

Cacau fino tem alto valor de mercado

O Brasil vem se destacando como produtor, já reconhecido pela Organização Internacional do Cacau- (ICCO, sigla em inglês) como um país que exporta 100% de cacau fino.

A certificação que dá status diferenciado para países que exportam cacau fino e de aroma é feita desde 1972 pela ICCO. A aprovação brasileira foi impulsionada pelo trabalho da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) no desenvolvimento de um dossiê técnico com informações sobre o cacau do Brasil.

VEJA O ARTIGO COMPLETO COM A VERSÃO EM PDF EM

 

http://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/7037

 

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