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Enquanto uns choram, outros vendem lenços

Por Paulo Peixinho

Produtor de cacau

´Paulo Peixinho

“Enquanto uns choram, outros vendem lenços.”

A frase, atribuída ao publicitário baiano Nizan Guanaes, foi publicada na Folha de S.Paulo, em 5/1/1998.

Trata-se de uma inteligente adaptação mercadológica da conhecida interpretação do ideograma chinês para crise: 危机 (wēijī). 危 significa perigo; 机 remete a oportunidade, ocasião, ponto de virada.

O mercado do cacau-chocolate-floresta vive exatamente esse dilema: uma situação de escolha entre duas alternativas.

Isto posto, o mercado de cacau no Brasil, diferentemente de outras origens, está diante de uma oportunidade circunstancial de continuar mudando:

  1. a) mostrar ao mundo que o Brasil produz cacau de qualidade, embora ainda não na quantidade possível;
  2. b) compreender que não basta colocar o cacau em uma vitrine, em uma rede social ou em uma feira. É preciso fazer negócios.

Philip Kotler define marketing como o processo de criar e manter clientes.

Estamos, neste momento, vivendo o dilema de vender amêndoas de cacau com preços abaixo da Bolsa, muitas vezes sem padrão de qualidade consolidado, enquanto os poucos compradores só querem comprar pelo preço que lhes interessa.

Assim funciona o mercado livre.

Mas este mesmo mercado também oferece a oportunidade de criar novos mercados.

Fácil? Não.

Possível? Sim.

Rápido? Depende do esforço de venda, da necessidade e da habilidade.

No curtíssimo prazo, não existe solução simples.

No médio prazo, será preciso constância e comprometimento.

No longo prazo, se os passos forem dados — ainda que entre tentativas e erros —, o cenário é promissor.

A cadeia de suprimento do cacau está em crise. Costa do Marfim e Gana, as duas maiores origens mundiais, enfrentam riscos reais: fitossanitários, econômicos, regulatórios, sucessórios e climáticos. No longo prazo, podem deixar de ser fornecedores tão seguros quanto foram no passado.

Ao mesmo tempo, os chocolates sem cacau e os produtos com sabor chocolate poderão aumentar suas vendas nos segmentos de confeitos e achocolatados. No entanto, será o consumidor quem decidirá se pagará o preço do chocolate feito com cacau de verdade.

Neste ponto, os produtores de cacau brasileiros devem “vender lenços”: anunciar, provar e entregar um cacau de qualidade reconhecida.

Enquanto escrevo esta reflexão, leio que o Salon du Chocolat terá uma edição na Bahia este ano.

O Governo da Bahia, por meio do secretário de Turismo, Maurício Bacelar, e o empreendedor Marco Lessa, da M21, vêm construindo estradas.

Agora, o cacauicultor pode escolher:

vender lenços — ou continuar a chorar.

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