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O Sábio Cacauicultor e Seus Herdeiros

Adaptação da fábula de Jean de La Fontaine — O Lavrador e Seus Filhos

Paulo Peixinho, cacauicultor

 

Paulo Peixinho

Sentindo que chegava a sua hora, um sábio cacauicultor chamou ao leito os filhos, pois queria que eles continuassem a cultivar o cacaual que lhes legara, a muito custo. E, quando estavam ao seu lado, lhes disse:

— Sinto que vou morrer e descansarei meu corpo na sepultura. Todos os bens que juntei, durante tantos anos, estão soterrados na plantação de cacau.

Morto o pai, julgaram os filhos que havia no campo algum tesouro escondido. Imediatamente se aparelharam de enxadas e começaram a cavar por toda a parte. Não acharam nenhum tesouro, afinal. Mas a plantação de cacau, graças à terra bem lavrada, deu muito mais naquele ano que em outros. E tamanho foi o lucro que superaria qualquer tesouro que o pai lhes pudesse ter deixado.

Nós somos assim; esforçamo-nos com afinco em busca de alguma coisa que consideramos mais valiosa, mas nem sempre percebemos que o esforço despendido, se aplicado a algo real, nos traria muito mais proveito. Esse pai deu uma lição aos filhos, lição proveitosa, porque eles compreenderam que, emprestando aquele ardor ao trabalho do campo, não obteriam apenas um tesouro, mas um valor tão alto que superaria muitas vezes qualquer tesouro que o pai poderia ter deixado.

E, quando a vassoura-de-bruxa chegou ao Sul da Bahia, os irmãos já haviam constituído uma boa reserva financeira. Continuaram cuidando do cacaual, preservando o patrimônio e o ensinamento deixados pelo pai. Em determinado momento, a propriedade tornou-se um oásis em meio a um deserto de fazendas abandonadas.

Moral da História

O verdadeiro tesouro deixado pelo pai não estava enterrado na terra, mas na capacidade dos filhos de trabalhar, perseverar e preservar o patrimônio diante da adversidade.

Inspirado na fábula O Lavrador e Seus Filhos, de Jean de La Fontaine — Fábulas, Tomo II, página 323.

Adaptação para a história da cacauicultura do Sul da Bahia.

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